
Enquadrada no âmbito das comemorações do centenário de Júlio Pomar, Tragédia e Farsa. Júlio Pomar e Gabriel Abrantes , com curadoria de Sara Antónia Matos, dá seguimento a um programa de exposições do Atelier-Museu que, todos os anos, cruza a obra de Júlio Pomar com a de outros artistas. Este cruzamento pretende estabelecer novas relações entre a obra do pintor e a contemporaneidade, indagando se os conceitos e as questões levantadas pelo autor continuam operativas no presente.
São algumas dessas questões (a relevância da prática pictórica na atualidade, o seu potencial crítico e político e os próprios dispositivos de exposição) que Gabriel Abrantes procura problematizar. Deste modo, esta exposição é pensada, desde a sua génese, como uma intervenção específica no espaço do Atelier-Museu, evocando também uma museografia da década de 1940, alusiva às Exposições Gerais de Artes Plásticas (em particular a de 1947), na Sociedade Nacional de Belas-Artes.
Ao desafiar Gabriel Abrantes (n. 1984) a realizar uma exposição que se focasse no domínio específico da pintura, relevando as suas questões mais prementes – “pintura, pintura”, como lhe foi pedido num dos primeiros encontros –, e após várias conversas com a equipa do museu, consulta de imagens referentes a obras, fotografias documentais, entre outros elementos, Abrantes avançou com a ideia de uma exposição com o título Tragédia e Farsa . Trata-se, portanto, de uma alusão à frase de Marx, que no livro O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (1852) afirma que a história ocorre duas vezes: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa.
As obras que Gabriel Abrantes produziu para integrar a exposição do Atelier-Museu são de outra tonalidade, geradas por outras ferramentas e habitadas por outro tipo de figuração. A paleta passo
Texto e imagem: Agenda Cultural de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa), CC BY. Ler na fonte.







