
Durante a chamada Guerra de Laleia (1878 - 81), que opôs a administração colonial e a missão católica portuguesa às comunidades e forças timorenses lideradas pelo liurai Manuel Salvador dos Remédios, um número indeterminado de timorenses é morto e decapitado. Em 1882, missionários católicos desterram 35 crânios para Portugal, no contexto de uma comissão destinada a reunir objectos das colónias para o Museu Colonial de Lisboa. Vinte e nove permanecem hoje reféns na Universidade de Coimbra; o paradeiro dos restantes seis é desconhecido.
Insepultos, separados dos seus corpos, dos seus territórios e das suas comunidades.
ISIN MAKEES (arrepios), espectáculo que transita entre teatro, música, imagem, dança e artes visuais, parte destes crânios, das narrativas e imagens lacunares que persistem em torno da sua história e da dor que insiste mesmo onde a memória se interrompe.
Na cena, o gesto da decapitação é repetido até à exaustão, dissecado e reiterado até se tornar disfuncional; a construção da UMA LULIK (casa sagrada) instaura um espaço de cuidado, mediador entre vivos e antepassados; os corpos tornam-se porosos, prontos para que os ossos encontrem matéria, voz, respiração.
ISIN MAKEES é um arquivo volátil, a que se acede no corpo, no pesadelo e no sonho.
Texto e imagem: Teatro Nacional D. Maria II (tndm.pt). Ler na fonte.





