
Ainda que fosse apenas pela interpretação de Willem Dafoe, no papel do armador milionário Marcos Timoleon (lembra a figura do histórico Aristotle Onassis; memória reforçada com a voz de Callas que abre o filme), já valeria a pena descobrir A Festa de Anos , produção internacional oriunda da Grécia que adapta o romance de Panos Karnezis de 2007, com o mesmo título.
Ao contrário do livro, pontuado por analepses que dão a conhecer o passado do protagonista, até se tornar numa figura “toda-poderosa”, o filme do espanhol Miguel Ángel Jiménez foca-se nas 24 horas e na manhã seguinte à festa dos 25 anos da filha de Timoleon, Sofia (Vic Carmen Sonne). Na ilha privada do pai, gizam-se planos de sucessão que passam por casar Sofia com um pretendente de uma família próxima. No entanto, os planos são ameaçados pela notícia de que Sofia se encontra grávida de um jornalista que Timoleon contratara para escrever a sua biografia.
Na conferência do Festival de Locarno em que o filme foi apresentado, Dafoe recusou-se a julgar a figura de Timoleon, dizendo que se limitou a dar dela a sua versão. Será o segredo de uma carreira recheada de grandes e muito diversificados papéis, a capacidade de não se fixar no condicionamento que as opiniões acarretam, optando por fazer as personagens surgirem para que cada espectador as julgue por si. Timoleon é, em igual medida, uma figura fascinante e reprovável que domina todo o filme, manobrando para que o património seja transmitido nas suas condições, custe o que custar. O espectador assiste pelo buraco da fechadura (e através das fitas de gravador que registam tudo o que se passa na ilha) ao drama familiar cuja matriz é a tragédia grega clássica de Agamemnon e da filha sacrificada, Ifigénia, enquanto acompanha a crescente devassidão do comportament
Texto e imagem: Agenda Cultural de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa), CC BY. Ler na fonte.














